martes, julio 10, 2007

To be rich or not to be

O gene tem 5800 anos de existência na raça humana. Estão a ser feitos estudos acerca da relevância que o ASPM pode ter na evolução intelectual do ser humano, tendo em conta que a sua antiguidade data mais ou menos da mesma altura em que começaram a aparecer civilizações, o conceito de civilização em si.

Aldous Huxley parecia profetizar no seu "Admirável Mundo Novo" o que se pode avizinhar nas próximas gerações:

O século XX tratou de esconder a eugenia praticada durante a II Guerra Mundial, mas se os estudos provarem as teorias, as pessoas passarão de ser classificadas pelo seu aspecto, origem ou erros que cometeram, para então se inserirem em castas genéticas, desde um proletariado pouco dado à inteligência, até ao mais elevado nível, onde se situarão os ricos em genes da inteligência, aos quais o resto da sociedade tem a obrigação de dever tudo. O código genético passará a ser o currículo exigido ao candidato a um emprego, as escolas criarão salas de aulas diferentes para as várias castas genéticas, os pais amaldiçoarão ou festejarão nascimentos, e até os amantes desejarão conhecer as entranhas do seu parceiro.

Na minha opinião nos dias de hoje já acontece esse desenvolvimento: a teoría de Darwin adaptada à era da mente -o factor apreciado pela natureza (social?) passa a ser a inteligência. Embora não haja classificação directa, conforme a predisposição de cada um para o enriquecimento intelectual, coloca-lo-á em posições de destaque social, ou de vida pouco abundante.

A análise do nosso código genético custa apenas o preço de uma viagem inter-continental. Dentro de um ou dois anos poderemos saber em que lugar intelectual da sociedade estamos. Arriscas?

martes, junio 19, 2007

Vodca regada com política

Já algumas vezes me dignei como cidadã que sou de Portugal a ouvir com atenção alguns debates e entrevistas que se fazem durante campanhas eleitorais. De todos eles saía com uma sensação de ter dado um salto no tempo, no sentido em que tivera perdido minutos a fio assistindo a discursos que não me tinham enriquecido ou esclarecido em ponto algum.

Quando fui acumulando este tipo de "campanha televisiva" no meu currículo apercebi-me que sempre que se faz a um dos candidatos perguntas específicas de resposta difícil por falta de conhecimentos ou de sinceridade desaconselhada, respondem sempre no mesmo registo vago, ou contorneando-o com histórias de embalar fazendo alusão a casos que podem ser semelhantes ou dubiamente paralelos.

Todos eles falam e discutem ardilosamente entre si, ou pelo menos assim o dão a entender aos mais sentimentalistas, acusam e são acusados de demagogia, como se essa palavra estivesse em liquidação total. São ensinados a combater em modo de diálogo e a ter expressividade gestual. Será que é assim que de facto é a política? O certo é que nunca ninguém argumentou contra a própria demagogia de discurso deles, nem ninguém teve a ousadia de dizer que toda aquela parafernália de palavras não passam de uma autêntica palhaçada: têm direito de antena para expor os seus argumentos, no entanto nunca ninguém fica realmente esclarecido.

Será a política uma Gentlemen's League, uma ordem como por exemplo a dos engenheiros, onde depois de todo o espectáculo montado se juntam em salas com quadros de antigos aristocratas, se sentam nos seus sofás de orelhas, a fumar um bom charuto cubano e com o whisky de malte com duas pedras de gelo apoiado no braço do sofá?

Como ex-militante-orgulhosa do PSD onde percebi como se fabricam autênticos políticos, devo dizer que talvez esteja na altura de me remeter ao meu low-profile de votante e acomodar-me ao facto de ter de viver em sociedade paralela à dos políticos.

domingo, junio 03, 2007

Radio Activity

Poderia ser uma coincidência não se devesse ao facto de coabitarem no mesmo apartamento.

Ponte 25 de Abril, ponho na Marginal e os meus sentidos aprazem-me com o "Walk on the Wild Side" do ex-vocalista dos de então Velvet Underground. Já ia eu pelo Eixo Norte-Sul a deixar o carro andar com a energía que lhe restava da última aceleração (a 1,34€/l a sem chumbo 95 qualquer um aprende a conduzir em modo aforro, ou a tornar-se civilizado na condução), quando decido mudar para outra minha preferência. Esbocei um sorriso pois achei coincidência engraçada a Radar estar a passar a mesmíssima música do Lou Reed, inclusivamente achei que podería ser um sinal qualquer (ando numa fase mística: durante a época de frequências com dois dias até à data para fazer 30 exercícios diferentes, aprender 400 fórmulas e ainda encafuar a teoría toda na calculadora, é normal que o misticismo seja uma desculpa para acharmos que vai acontecer algum milagre inexplicável), tal era a coincidência. Mas depois lá me lembrei! "Ah! Aquele senhor de barba e óculos fundo de garrafa deve ter saído do estúdio para fumar um cigarro, ouviu o que estavam a passar no estúdio ao lado e deve ter achado boa ideia....".

Lá se foi o último alento da minha esperança, mas o sorriso continuou esboçado: ninguém deve resistir a este eterno clássico.

PS: Ó Radar, passem lá mais músicas do culto que aqui a gente gosta pá! Tipos Sonic Youth, Leonard Cohen, Velvet Undeground, Kraftwerk, Laurie Anderson, The Young Gods, ... Aqueles clássicos que hoje em dia só os velhos e os marados gostam!

E já que estamos numa de mandar recados às rádios...

PS2: Ó Clássica, porque é que andas a revezar a emissão com os da IURDE ou o que é aquela coisa? Ah! E agradeço desde já a emissão quase contínua de músicas à Benny Goodman em tom de grafonola e microfone que só grava os médios, Não sei porque é que andam a passar mais disso, mas concerteza deve ter havido uma fuga de telepatia...

sábado, abril 21, 2007


A dúvida fazia de circuncisão ao estômago cada vez que eu perguntava a cada um o que queria para o seu jantar: "bolinhos de alheira ou lasanha de legumes?" perguntava eu, mas a única resposta que ouvia do outro lado do telefone era: "Hum, é complicado, já estou a ficar com fome!". Qualquer uma das hipóteses tinha talento para provocar um festim no paladar até mesmo dos mais distraídos.

Chego com meia hora de antecedência, queria ver a disposição das mesas que já estavam perfeitamente postas e dispostas. Repartir harmónicamente 47 pessoas pelas 8 mesas que practicamente fizeram de mim a anfitriã de todo o restaurante naquela noite, não ia ser tarefa fácil. Peço um martini devidamente servido no seu copo correspondente e ponho um CD de música vintage misturada com Nicola Conte para acompanhar a noite.


Depois de dar nomes de bebidas alcoólicas às mesas e distribuir as pessoas pelas mesmas, começam a entrar pela porta, dois e três pessoas por grupo à vez. Descem os dois degraus para dentro de um open space pombalino, de chão e ombreiras em pedra e paredes brancas repletas de fotografías e quadros, candeeiros gigantes a cair do tecto que está lá em cima. Vou cumprimentando os que chegam, e vou atendendo as chamadas dos mais perdidos: "É muito fácil!" dizia, "é mesmo a seguir ao campo das cebolas em direcção à Praça do Comércio pela rua dos eléctricos!". Mas nessa altura já estava com um copo daquela sangría de champanhe com bocados de morangos que todos chamam o ex-libris da casa.

O serviço? Nem me deixaram preocupar-me, por muito que eu quisesse participar no processo logístico de abastecimento de 8 mesas repletas de pessoas de diferentes gostos e vontades. A responsável e verdadeira anfitriã, Ana Malta, sabe bem como se faz uma casa: eficiência, eficácia, imaginação, diversidade e muito bom gosto. Bons negócios não precisam de invesir em publicidade: passam a palavra de boca em boca, e eu quero fazer parte dessa cadeia.

Foi bom estar sentada a meio de uma das mesas, poder contemplar os meus convidados entretidos a conversar, a sorrir e a dar gargalhadas, a mostrar satisfação com os pratos que lhes eram postos à frente, ver a ser tudo tratado sem que eu tivesse que interferir, ver tudo a decorrer como se eu não fosse a aniversariante, mas sim uma pessoa que conseguiu a proeza de juntar 47 pessoas quase todas diferentes, num ambiente heterogéneo, mas que de alguma forma tornou aquelas 3 horas... perfeitas.

Quero agradecer à minha amiga Cris, à dona do restaurante Ana Malta pela sua exemplaridade, aos meus amigos que puderam estar presentes e que proporcionaram ao jantar um ambiente inesquecível, e à minha irmã.

Restaurante Alfândega, Armazém dos Sabores:
Rua da Alfândega 98
1100-016 LISBOA
Telefone: 218861683




miércoles, abril 18, 2007

Vermes!

"Sonae, Galp e PT tiveram este ano um crescimento de 14%, isto significa 10 mil euros por minuto!" ouvi eu agora na televisão. Era um perdido qualquer da CGTP, a promover outra greve algures ainda neste mês: mais um dia de trânsito parado no meio de Lisboa, mais um dia sem a pouca produtividade que já impera, por causa de quem não quer nem deixa trabalhar. E pior do que isso, estes imbecis queixam-se do lucro que estas empresas fazem não ser distribuido por todos.

Sacanas dos comunas e dos sindicalistas! Querem também uma fatia do que os outros semeiam e colhem! Ponham-se mas é a trabalhar que o vosso mal é a inveja e a perguiça!

Para haver patrões têm de haver empregados e vice-versa, mas se vocês preferirem tomar a posição do patrão façam favor, talvez se envergonhem por todas as palhaçadas que sairam das vossas gargantas!

viernes, abril 13, 2007

Welcome to Portugal: the land of doctors and engineers! Vodca for everyone!

Surprisingly hypocrite is the fact that our Prime Minister likes to call himself as "Engineer", but in fact, he never got to accomplish the 5 years long course. Instead, he solve the problem by raising up "a little bit" the grades of some disciplines (the most important indeed), the same ones that he, kind of... bought! Who has the nerve to deny something to the political society, or who hasn't nowadays the will for in exchange to receive some... political or monetary favors?

The controversy emerged along with a case of corruption (an illicit "fundraising" sponsored by the naive students) that was being practiced on a private university, the very same one where that our "Man of the Year" supposedly obtained his certificate.

Portugal is resumed to doctors, lawyers and engineers. Everything but that, is considered mob. If someone finishes his or her rather poor course in some lousy university, it doesn't matter: he or she will insist to add to their names a "dr.", because they know, and surely they will enjoy a 1st class treatment. The worst is that the society itself (even the so called mob), goes along with that circus, like anoying little puppies rolling around just to eat a biscuit at the end.

Prime Minister's dirty little secret is the ex-libris of our lusted society, that came to reveal that worst than a "wannabe", is fake presidents, directors, constructors, leaders...

I would like to give a special thanks to blogger.com to let me write everything I want, having the freedom to at least try to shout to the world things that quickly become silent aroud here.

Democracy has turned freedom of expression into hilarious e-mails and blog societies...


lunes, marzo 12, 2007

Pedro, é desta!


Máxima de domingo, dia soalheiro com as estradas e esplanadas costeiras entupidas com toda a população oriunda de um perímetro de 100km:

Fim de tarde, depois de pagar a portagem na ponte 25 de Abril de volta para Lisboa, decido desistir do CD para ver o que estava a dar na Clássica FM. Curiosamente eles lembraram-se de mim e puseram Bach a tocar, só para eu atravessar a ponte e provar ao Pedro que o que eu digo não é mentira.

Mas a cereja no topo do bolo foi, por uma cadeia de lembranças, ter chegado a esta conclusão:

Não acham muito mais "um chique que não se aguenta" -Bu's quote- comprar um relógio da D&G na -famosíssima pelas suas falsificações- Chinatown de NYC em vez de numa joalharía qualquer com o nome do estilo "Bulhosa Joalharías, Lda." num qualquer Centro Comercial à estilo Colombo?

viernes, enero 26, 2007

Bienvenidos al 2007! Ai mamita!

O meu 2006 acabou nas urgências da CUF das Descobertas com ranho purulento e enxaquecas incuráveis com os Ben-ur-on 1000. Levei na veia um medicamento eficaz, pelo menos -afirmou a médica- para acabar com as marteladas no piso de cima.


Mas o ano de 2007 não começou melhor, que a juntar à tradicional cueca azul, presenteou-me com 38 graus de febre. Mas entretanto lá para o meio aconteceu a meia noite. Festinha improvisada com grupo igualmente quase improvisado. Começámos todos periclitantemente, receando que os ingredientes daquela noite não fizéssem crescer a massa, mas o Martini e os Casa de Santar tinto ajudaram a lembrar que, apesar de poucos, sempre nos entendemos com conversas depravadas ao som do "Confessions on a Dance Floor", sempre em tua casa Tojo. Rolo de carne à Maria Moura, entradas bem confeccionadas pelo Caçador, doce de abóbora com uma tentativa falhada de queijo fresco e nozes, azeitonas e sobremesas que mal se comeram a uma hora em que já só queríamos saber do champagne e das passas (infelizmente eram só daquelas que se comem...).


Mas a festa continuou sem nenhum de nós se ter transformado em ratinhos, abóboras ou até mesmo em plebe. Seguimos para os lados da Mãe D'Água onde há um clube recreativo que pelo nome acharia que corria o risco de levar "c'uma chináda". Do outro lado da estradinha há um prédio com 2 andares e umas águas furtadas: dimensões reduzidas que levavam a imaginar escadas íngremes e desgastadas, corredores escuros e cheiro a mofo. No entanto fui surpreendida por corredores amplos e bem iluminados, chão em tijoleira e umas águas-furtadas perfeitamente restauradas por quem percebe, um open space com clarabóias e um petit jardin interior. Notas (assim manda a tradição), Laurie Anderson mixada, espelhos, e Terras do Pó tinto com fartura. Inicialmente ataquei o vinho, e apesar dos convites, rendi-me a apenas uma Stolichnaya com sumo de limão para durar o suficiente no 1º dia do ano (já que ainda restavam os outros 364).


Passámos pelo Lux, mas apesar de mais de metade ter o nome na guess list, os que não tinham, até poderiam estar com traje sado-maso, mas não entravam. Acabei por ir até à... Music Box, que -vindo a saber uns dias depois- é patrocinada (financiada?) pela SIC (Radical(!)). Eram já quase 4 da manhã, o Jamaica estava a prestes a fechar para começar os preparativos para o after-hours, e naquela cobravam-nos 12€, que para uma noite de ano novo é à borla! Musica muito dançável, estrangeiros e caras "conheço-te-não-sei-de-onde". Acabei a minha noite naquela "boate" a falar com a miúda do bengaleiro que era italiana, e que para meu regozijo e euforia ébria, conhecia a triologia "Amici Miei", a qual me tinha pregado ao sofázinho de baloiço a rir desalmadamente durante o dia natalício, no convívio saudável com o papá.



Decidi ir-me embora. Uns já tinha ido e outros já se tinham aninhado na pista de dança. Saí com visão turva, de outra forma ter-me-ia posto aos berros cheia de medo. Os Absoluts, Stolichnayas, vinhos, Martinis e champagne deram-me fôlego e coragem para enfrentar uma rua cheia de prostitutas, chulos e drogados, como se se tratasse de uma flora bacteriana que cria uma "bolha Actimel" como promove a Danone no seu anúncio, que adaptado à minha condição seria qualquer coisa como: "muito álcool por dia, e nunca a escória râncida me infectará". Era bom, não era? Entretanto ouvi um táxi a aproximar-se, virei-me para trás e não detectei a luzinha verde acessa, nem os números amarelos. Mas como os taxistas hoje em dia, pela inércia da entidade competente que nunca mais implementa as medidas necessárias, andam constantemente receosos, ao passar por lugares hostis têm por hábito dar a entender que estão fora de serviço. Eu com o meu ar de menina que foi parar ali por efeitos à 5ª dimensão, casaco estilo Channel e sapatinhos à Feiticeiro de Oz, fiz sinal. O nobre homem parou ao meu lado, e eu, qual prostituta, verguei-me até à altura da janela, do lado do lugar do morto: "vai p'ra onde?" disse ele, e lá me abriu a porta. Como tudo aconteceu a uma velocidade mais rápida que a velocidade de processamento do meu cérebro, entrei pela porta que se me abriu e reparei que estava lado a lado com o taxista, e nem conseguindo articular palavra, entram de rompante duas espanholas para os assentos de trás: "por favor! déjanos entrar que ya nos tiraran al suelo dos veces y nos morimos de miedo!". Embevecidas pelo meu sotaque perfeito, com influências estremenhas da Marta, e pela minha boa vontade, lá as levei até à praça da Figueira antes de seguir rumo a casa.


Mas a odisseia não ficou terminada por aí. Como um balde de água fria despejado na minha cabeça e ao mesmo tempo toda uma cafeteira cheia de café jorrada pela minha goela abaixo, o taxista começa a falar de "fiesta!", que o casório ia de mal a pior, e remata com uma tímida e obscura ideia de mim a festejar um pouco mais. Menos mal: tinha-me esquecido das chaves de casa e lá telefonei à minha mãe a meio da viagem. Eram sete da manhã, sol a começar a espreitar e eu a dizer a um depravado que tinha a mãezinha e o paizinho acordados à minha espera à porta de casa. Por momentos pensei se teria escolhido a opção mais sábia, não fosse o preverso gostar de menininhas colegiais... Mas depois pensei: "naaa... com as bogas com que devo estar por causa do eyeliner, e as résteas do baton encarnado, mais pareço uma trintona acabadíssima e inútil que ainda vive com os papás". Vendo bem as coisas, a maquilhagem carregada e a expansividade alcoólica sempre ajudam, nem que seja no fim da noite, a repelir os indesejados insatisfeitos com o desfecho das suas noites. Da minha parte, o meu pano fecha-se todas as noites com uma grande ovação.

Até amanhã!

jueves, diciembre 07, 2006

Ciência vs. Arte


Com o avanço da tecnologia e da efemeridade ideológica, o apogeu da lógica prima hoje em dia sobre a sensibilidade artística e literária. Os best-sellers já não promovem o rigor do idioma como fazia Camões, Shakespeare ou Cervantes, e sim uma linguagem básica e adequada sobre os problemas sócio-económicos para o leitor -prático e sempre informado- actual, não perder tempo em palavras doutas.

À medida que os anos passam, e em que um se adentra cada vez mais em conceitos científicos, torna-se perito nas matemáticas e nas físicas, mas vai porém embrutecendo à medida que a sensibilidade e subjectividade emocionais vão sendo trocadas pela objectividade lógica. O lado esquerdo do cérebro vai adormecendo para dar lugar ao reinado do lado direito do mesmo.

Eu assumo-o, visto que de tudo faço para manter a sinergia de ambas tendências, e quem sabe um dia, passe de ser apenas um conceito insigne para uma ideia práctica, envolvendo-me nalgum projecto pioneiro, quem sabe...


Escola de Atenas - fresco de Rafael Sanzio, com cerca de 7,7m na base, pintado entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano.

A obra é um fresco em que aparecem ao centro Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal, o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível.


sábado, noviembre 25, 2006

Indubitavelmente duvidoso de duvidar sobre tal dúvida. Parte V


Indubitavelmente duvidoso de duvidar sobre tal verdade, antes dito. Paris deve estar a rodopiar na sua roda gigante como sempre, mas Lisboa traz o cheiro da Estónia que veio mas que vai voltar à origem. E a perda emerge de novo, e a saudade ataca prevalecente. Durarás para a vida como prometido? Será Londres ou Barcelona? Ou Estocolmo? Inter-rail ou inter-plane? Algures na Europa num autocarro? Ou todos juntos de novo? Em Budapeste ou na Grécia? Já falaste com o teu querido shaver? Espero que tenhas gostado de cá estar. Espero ver-te mais uns dias, semanas, meses ou anos, mas não, não de intervalo e sim de vivências. Dói voltar à mesma despedida. Tentarmos encasquetar a certeza na nossa cabeça de que isto não fica por aqui. Que vai acontecer de novo, até que as despedidas sejam "então daqui a umas semanas!" e onde as conversas passem de memórias a trivialidades acompanhadas de vinhos e cafés, falando de livros e daqueles dois tipos que passaram por nós bem giros, onde vamos jantar? Ligaste ao resto do pessoal?

Não deveria ser assim. Maior que a perda definitiva é a perda incerta.


Embora pareça o contrário, o desvanecimento provocado pelo tempo é a prova viva da fraca ligação que existiu. Mas também leva a perguntar-nos: "será que bastaria uma semana mais para isto não acontecer?", e a dúvida permanece ali, estática como se se tivesse optado por um caminho sabendo que o sinal apontava para o lado contrário. Faz parte, diz o acomodado. Mas fará mesmo? Ou será porque pelo facto de não se sumir tão facilmente queira dizer que devemos insistir? E então pensamos: é no fundo disto que se trata os nossos investimentos? Pessoas que mudam a vida de pessoas funcionando tudo numa única cadeia, como aquela teoría que diz que só estamos separados todos uns dos outros por sete pessoas no máximo.

viernes, noviembre 03, 2006

Para ouvir


Budapeste. Budapeste é uma cidade atravessada pelo rio Danúbio ao som do violoncello. Temperada com romantismo, gótico, barroco, neoclássico e Art Nouveau húngaro, emana uma luz inebriante de fin-de-siècle imperial.

Mas Budapeste é mais do que isso para mim. A Rainha do Danúbio é também um bramado E
gészségedre! a brindar com Pálinka! Csá mizú! Foram jantares à mesa com trinta pessoas e três sanitas por andar. Foi uma universidade sumptuosa do século XVII com corredores labirínticos e a onda artificial do Gellért. Foi o vinho branco da adega e a bicicleta do András. Foi o paprikascrumpli da Gabi e a bebida com 80% de volume de álcool que o Stefan levou da Áustria, o seu país de origem. Foi o laptop da Asia que nos dava música enquanto tomávamos banho. Foi a esquecida da Marina e o Stavros sempre a dormir. Foi o fantástico fogo de artifício que acabou num dilúvio. Foi a quantidade de sör bebida e Pal Mall cor-de-laranja fumados. Foi aquela discoteca ao ar livre que acho que ninguêm chegou a saber o nome. Foi aquela tarde no campo a jogar jogos estúpidos depois de duas horas a destilar num autocarro, mas no fim, triunfantes a comer melancia e o melhor bolo de chocolate que eu alguma vez comi. Foram elas vestidas deles, e eles vestidos delas. Foi a guerra com o "creme" de chocolate e o portuguese poopoo da Ana. Foi a cantata do Giacomo e a música que dedicaram ao Kuni, morto tal era a bebedeira diária. Eram os cigarros de enrolar do Dominik e o peito colossal da Anaïs que se negava a participar nas insistentes fotos. Era a eterna desaparecida Galina com mensagens inexpugnáveis para bom entendedor da lingua inglesa, "bay from Ekaterininbug, the whole". Era o Murat com o seu kit de sono e os golazos de cabeza do Unai. Era o nariz estranho do Adam que a Marina tanto gostava e eram os anyways e os OH MY GOD que me faziam esquecer o português quando tinha mais pálinka do que sangue. Foi a repugnante rákia que estragou a sangria mas que mesmo assim foi toda bebida. Foi o waterpipe que Asia começou a partir, e eu acabei. Foi o Gábor que mal se percebia em inglês a ir receber o italiano Riccardo ao aeroporto que mal falava inglês (!). Foram as belgium fries e a mousse du chocolat do Pieter que induziram os locals a erro por pensarem que era para mergulhar as batatas na mousse e comer. Foi o Zótyo a trepar o palco e ir dançar ao lado do DJ, e foi ver aquele italiano a andar o caminho todo aos ésses. Foi a corrida que eu e o Pieter demos até aos apartamentos porque o homem da gasolineira veio a correr atrás de nós e a discussão com um professor às tantas da manhã porque ele atirou um pimento mordido pela janela e o raio do homem pensou que era uma maçã. Foi o carrinho de supermercado no meio da pista. Foi o pôr do sol visto da janela da cozinha e as mãos dadas, as cabeças encostadas e as conversas até às tantas da manhã. Foi deitar e acordar ao lado delas e deles, comer com elas e eles, rir. Sobretudo rir. Foram 13 dias, 312 horas, 18720 minutos, 1123200 segundos a rir.


Budapeste. Uma parte do meu coração ficou por lá, preso naquele tempo, naquelas memórias, junto daquela gente, daquele calor e daqueles cheiros.

martes, octubre 24, 2006

Indubitavelmente duvidoso de duvidar sobre tal dúvida. Parte IV

"Consta que parte dos nossos falhanços em matéria de progresso se deve a uma putativa falta de ambição genética. Em Portugal, contentamo-nos com pouco. Dizemos demasiadas vezes que o óptimo é inimigo do bom, quando isso só raramente faz sentido (...). Combater esta característica que nos inebria requer empenho e convicção. Não sendo propriamente excitante, viver assim, com objectivos modestos, expectativas baixas, tudo sob controlo, enfim, pode ser tentador. Digamos que um sueco ou um alemão (va, um espanhol) não corre tanto perigo como nós de cair na tentação de viver encostado a esta placidez que nos ilumina os dias (nem os deixam, tão-pouco). É certo que mais do que a atmosfera que se respira à nossa volta, o melhor escudo contra o conformismo (...) é a nossa própria natureza. Só que essa, como o nome indica, já nasce connosco. Não se cria e dificilmente se altera. Ora, a natureza da generalidade dos portugueses - fruto do clima, do paternalismo do Estado, da qualidade do vinho, sei lá bem - sucumbe logo à sereia do facilitismo.



E, no entanto, o discurso de sobrolho carregado que apela a um maior grau de exigência e ambição do bom povo português já soou melhor que hoje. Os seus autores, como se deve ter reparado, esquecem-se frequentemente de dar o exemplo. De resto, há um grave problema de discurso neste país. Uma espécie de desrespeito instituído pelo acto de comunicar, independentemente do destinatário ser a população inteira, a equipa com que trabalhamos ou apenas uma pessoa a quem, por qualquer razão, devemos explicações. Instalou-se a ideia de que tornar as nossas palavras em actos, fazer tudo ao nosso alcance para que isso aconteça, é meramente opcional, secundário. Diz-se e depois vê-se. A palavra é usada de forma cada vez mais leviana. Pior: é usada de forma leviana sem que isso signifique correr grandes riscos, porque esperar que ela seja cumprida também é um costume que já caiu em desuso. Os políticos estão longe de ser os únicos culpados por esta distorção, que não é bem demagogia, mas uma farsa generalizada que todos aceitam praticar com maior ou menor grau de lucidez. É como se a língua portuguesa tivesse sido substituída por publicidade enganosa sem ninguêm dar por isso. A sociedade aprendeu a viver com o não cumprimento da palavra e praticá-lo no dia-a-dia. Os sintomas são, entre outros, a falta de pontualidade, a falta de planeamento, a falta de organização, a falta de confiança e, no final, o desencorajamento e a letargia. A doença não mata mas mói, até mesmo os mais determinados.



Os portugueses contentam-se com pouco (...)."



By Francisco Camacho in "NS'"
12 de Outubro de 2006

jueves, octubre 19, 2006

The weather for tomorrow: Periods of rain, 20 degrees Celsius with winds SSW, 6.

martes, octubre 17, 2006

OS GRANDES PORTUGUESES!


Eu já fiz a minha escolha... O Emplastro!

Há quem diga Catarina Furtado, há quem prefira o ex Presidente Jorge Sampaio, e calculo que até possa haver quem prefira a Floribela! Conta tudo como votação!

Pois bem, tendo em conta que a votação é feita por aspectos vários tais como a representatividade que essa pessoa tem no país (qualitativa e quantitativa), opiniões públicas que arrecadou, feitos ou proezas, etc., o Emplastro tem um potencial elevadíssimo.

A patetice inerente e inata do senhor fez com que ignorantemente chegasse às luzes da ribalta. Apesar do curto espaço de tempo, ganhou uma dentadura nova e chegou aos ouvidos de (calculo) quase a totalidade do povo português. Puseram-no nos lugares mais inóspitos tais como detrás da Mona Lisa num quadro do Leonardo da Vinci, atrás do Jim Morrisson numa das fotos mais conhecidas do falecido cantor, no meio do Iraque a transportar um ferido, no antigo Egipto, num discurso do Ossama Bin Laden,... E no mais inóspito de todos: o Herman SIC!

Mas o Emplastro tornou-se num animal de estimação para a televisão (que agora foi abandonado porque já passou de moda, como é natural) e num entretenimento para a grande maioria dos portugueses, i.e., o vulgo.

O vulgo que também é pateta, mas não é a patetice de uma demência, mas sim uma incrustada ingorância de sorriso tonto e descabido. O vulgo é uma "Floribela", uns "Morangos com Açúcar" um "Às duas por três", uma SIC Parade, uns "Malucos do Riso", uma revista "Maria", notícias sensacionalistas, uma "Jura", ou qualquer outro programa que promova promiscuidade desenfreada, filosofías baratas e histórias de desgraças desgraçadas em desgraço. O vulgo é a maioria da função pública que percebe da sua função tanto quanto um mendigo, aqueles dos call centers que têm uma formaçãozeca de um par de horas, os pseudo-aspirantes a "homens importantes", o construtor civil self made man, e toda e qualquer pessoa que veja assíduamente pelo menos dois dos programas acima mencionados.

Pois quem melhor que o Emplastro para representar e engrandecer o Povo de Portugal? Ao menos a personagem não tem mácula para poder ter vergonha. Um exemplo de ingénua humildade e ignorância.



Conduta social por um punhado de trocos

Arrumador: s. m., aquele que arruma;
pessoa que indica nos parques de automóveis, teatros, cinemas, etc. , os lugares a ocupar pelas viaturas ou pelos espectadores;


Não sei se o significado encontrado no dicionário virtual se refere ao arrumador actual comum, ou àqueles homens aprumados que se encontram à entrada de um daqueles hotéis algo mais dispendiosos do que o aceitável para o homem comummente assalariado. Pelo sim, pelo não, é o arrumador do vulgo que se referencia neste post.


Pois bem, o arrumador do presente é aquele tipo de homem (na generalidade) que se encontra no meio da rua, i.e., como as prostitutas: cada um disputa por um lugar fixo. Agora lembrei-me! Até me admira ainda não haver o "proxeneta dos arrumadores"! Seria aquele espécimen sempre sóbrio que faria a negociação. Porque na verdade nos arrumadores existe sempre duas características comuns: ebriedade e toxicodependência avançada.


Ainda hoje estava a arrumar o carro no parque em frente ao Monumental, num dos VINTE lugares livres, mas lá estava ele, de jornal enrolado em punho como se se tratasse de um daqueles controladores com a sinalética na mão a indicar no meio da pista o caminho a seguir por um avião. Mas neste caso sem tanta veemência pois o jornal era agitado lentamente, sempre cara o chão.


Mas continuando, ao ver aquela amostra fiz o que faço sempre: franzi a cara como quem diz que não tem dinheiro numa tentativa de fazer com que desistisse do serviço mal prestado. Mas lá continuou ele, como continuam todos. Saí do carro, tirei a carteira da mala, abri o porta moedas e olhando para as minhas duas moedas de 1€, fiz de conta que não tinha nada, e disse-lhe que ficava para depois do café, que aí talvez já tivesse trocos. Ele como se tivesse sido contratado para alí estar disse-me: "pode ir, pode ir", como se estivesse de facto a ganhar o seu salário ao fim do mês, de forma tão convincente que me fez olhar para ele por segunda vez, hesitando umas fracções de segundo, até perceber a ridicularidade da situação.


Haverá uma nova conduta social? Estaremos limitados a tratar com graciosidade esta escória, sendo a punição por falta de conduta uns gastos extra em pintura para esconder o risco que nos fizeram no carro? É assim tão errado manda-los "à puta que os pariu" porque nos pedem dinheiro para além da roubalheira que os cabrões da EMEL nos pedem no parquímetro?


E por falar em EMEL...


Para quem usufrui das máquinazinhas, já repararam que os sacanas têm periodos mínimos de 30 minutos a cobrar, ora 28 cêntimos ora 31 cêntimos dependendo dos sítios. Mas também ja repararam que as máquinas não aceitam moedas de 1 e 2 cêntimos? Ora têm de pagar 30 cêntimos, ora têm de pagar 35 cêntimos, respectivamente. Não dão troco...
"De grão a grão, vai a galinha ao papo"

viernes, octubre 06, 2006

How to save some water?


Lesson number one: While brushing your teeth


martes, septiembre 05, 2006

Hope There's Someone

For the past few moths I didn't write something here, because I'm always very carefull in what I write down, trying not to turn my precious blog into cheap literature. But maybe it's time to write some corny stuff, listening to Anthony & The Johnsons (and this sounds like a good old cliché), trying to express my inner feelings about something recent, despite belonging to the past. What the hell! After all, I own this blog!

And yes, it's only for you. You're my prince charming.

"[Origin: 1840–50; on the pattern of earlier King Charming, ult. trans. (with word order unchanged) of F Roi Charmant, the hero of a fairy tale by the Comtesse Marie-Catherine d'Aulnoy (ca. 1650–1705)]"

miércoles, junio 28, 2006

Is it possible to think that the future we imagine, is being created in this present?
Is it possible to think that a creation of a single person might be the imagination of the entire world?
If all "malekind" dissappears today from the face of the Earth, women could perpetrate humanity because there are sperm banks. And what about the extinction of the "femalekind"?
Is it possible to sell the cure for AIDS instead of profit at least the double selling retarding pills?
Is it possible to avoid use till the end the limited resources of planet Earth?
Must each of us live 100 years more instead of let things as they were defined millions years ago?
Is it possible to think that a democracy is better than comunism or fascism?
Is it woth to have faith above hope?
Is it right to think "if I work harder, I'll earn more"?
Have you ever think that what you've learned all your life might be all wrong?
And what about your choices? Have you ever think "what if"?
Are you entirely happy or you just have moments of happiness?
What makes you believe that you're right in all you say and in the actions you take?
Is it possible to think that we're being selfish by believing that we aren't just cells and chemical reactions? That our life is so much greater than this? That anyone or anything really cares about us?
Is it a sin to think that Jesus wasn't the son of God sent to Earth, who died and revived in flesh, and just a
philosopher or polititian with great ideas of living as a good human being?
Is it canibalism obnocsious? And what about medical or parental recklessness? And what about leaving the elder at home alone? Or even deliberately forget them at a hospital? And what about abandon pets?
Must we give to (still existing) ancient tribes the oportunity to know civilization?
Is it the so called "Civilization" the best way of life?