
Budapeste. Budapeste é uma cidade atravessada pelo rio Danúbio ao som do violoncello. Temperada com romantismo, gótico, barroco, neoclássico e Art Nouveau húngaro, emana uma luz inebriante de fin-de-siècle imperial.
Mas Budapeste é mais do que isso para mim. A Rainha do Danúbio é também um bramado Egészségedre! a brindar com Pálinka! Csá mizú! Foram jantares à mesa com trinta pessoas e três sanitas por andar. Foi uma universidade sumptuosa do século XVII com corredores labirínticos e a onda artificial do Gellért. Foi o vinho branco da adega e a bicicleta do András. Foi o paprikascrumpli da Gabi e a bebida com 80% de volume de álcool que o Stefan levou da Áustria, o seu país de origem. Foi o laptop da Asia que nos dava música enquanto tomávamos banho. Foi a esquecida da Marina e o Stavros sempre a dormir. Foi o fantástico fogo de artifício que acabou num dilúvio. Foi a quantidade de sör bebida e Pal Mall cor-de-laranja fumados. Foi aquela discoteca ao ar livre que acho que ninguêm chegou a saber o nome. Foi aquela tarde no campo a jogar jogos estúpidos depois de duas horas a destilar num autocarro, mas no fim, triunfantes a comer melancia e o melhor bolo de chocolate que eu alguma vez comi. Foram elas vestidas deles, e eles vestidos delas. Foi a guerra com o "creme" de chocolate e o portuguese poopoo da Ana. Foi a cantata do Giacomo e a música que dedicaram ao Kuni, morto tal era a bebedeira diária. Eram os cigarros de enrolar do Dominik e o peito colossal da Anaïs que se negava a participar nas insistentes fotos. Era a eterna desaparecida Galina com mensagens inexpugnáveis para bom entendedor da lingua inglesa, "bay from Ekaterininbug, the whole". Era o Murat com o seu kit de sono e os golazos de cabeza do Unai. Era o nariz estranho do Adam que a Marina tanto gostava e eram os anyways e os OH MY GOD que me faziam esquecer o português quando tinha mais pálinka do que sangue. Foi a repugnante rákia que estragou a sangria mas que mesmo assim foi toda bebida. Foi o waterpipe que Asia começou a partir, e eu acabei. Foi o Gábor que mal se percebia em inglês a ir receber o italiano Riccardo ao aeroporto que mal falava inglês (!). Foram as belgium fries e a mousse du chocolat do Pieter que induziram os locals a erro por pensarem que era para mergulhar as batatas na mousse e comer. Foi o Zótyo a trepar o palco e ir dançar ao lado do DJ, e foi ver aquele italiano a andar o caminho todo aos ésses. Foi a corrida que eu e o Pieter demos até aos apartamentos porque o homem da gasolineira veio a correr atrás de nós e a discussão com um professor às tantas da manhã porque ele atirou um pimento mordido pela janela e o raio do homem pensou que era uma maçã. Foi o carrinho de supermercado no meio da pista. Foi o pôr do sol visto da janela da cozinha e as mãos dadas, as cabeças encostadas e as conversas até às tantas da manhã. Foi deitar e acordar ao lado delas e deles, comer com elas e eles, rir. Sobretudo rir. Foram 13 dias, 312 horas, 18720 minutos, 1123200 segundos a rir.
Budapeste. Uma parte do meu coração ficou por lá, preso naquele tempo, naquelas memórias, junto daquela gente, daquele calor e daqueles cheiros.
Mas Budapeste é mais do que isso para mim. A Rainha do Danúbio é também um bramado Egészségedre! a brindar com Pálinka! Csá mizú! Foram jantares à mesa com trinta pessoas e três sanitas por andar. Foi uma universidade sumptuosa do século XVII com corredores labirínticos e a onda artificial do Gellért. Foi o vinho branco da adega e a bicicleta do András. Foi o paprikascrumpli da Gabi e a bebida com 80% de volume de álcool que o Stefan levou da Áustria, o seu país de origem. Foi o laptop da Asia que nos dava música enquanto tomávamos banho. Foi a esquecida da Marina e o Stavros sempre a dormir. Foi o fantástico fogo de artifício que acabou num dilúvio. Foi a quantidade de sör bebida e Pal Mall cor-de-laranja fumados. Foi aquela discoteca ao ar livre que acho que ninguêm chegou a saber o nome. Foi aquela tarde no campo a jogar jogos estúpidos depois de duas horas a destilar num autocarro, mas no fim, triunfantes a comer melancia e o melhor bolo de chocolate que eu alguma vez comi. Foram elas vestidas deles, e eles vestidos delas. Foi a guerra com o "creme" de chocolate e o portuguese poopoo da Ana. Foi a cantata do Giacomo e a música que dedicaram ao Kuni, morto tal era a bebedeira diária. Eram os cigarros de enrolar do Dominik e o peito colossal da Anaïs que se negava a participar nas insistentes fotos. Era a eterna desaparecida Galina com mensagens inexpugnáveis para bom entendedor da lingua inglesa, "bay from Ekaterininbug, the whole". Era o Murat com o seu kit de sono e os golazos de cabeza do Unai. Era o nariz estranho do Adam que a Marina tanto gostava e eram os anyways e os OH MY GOD que me faziam esquecer o português quando tinha mais pálinka do que sangue. Foi a repugnante rákia que estragou a sangria mas que mesmo assim foi toda bebida. Foi o waterpipe que Asia começou a partir, e eu acabei. Foi o Gábor que mal se percebia em inglês a ir receber o italiano Riccardo ao aeroporto que mal falava inglês (!). Foram as belgium fries e a mousse du chocolat do Pieter que induziram os locals a erro por pensarem que era para mergulhar as batatas na mousse e comer. Foi o Zótyo a trepar o palco e ir dançar ao lado do DJ, e foi ver aquele italiano a andar o caminho todo aos ésses. Foi a corrida que eu e o Pieter demos até aos apartamentos porque o homem da gasolineira veio a correr atrás de nós e a discussão com um professor às tantas da manhã porque ele atirou um pimento mordido pela janela e o raio do homem pensou que era uma maçã. Foi o carrinho de supermercado no meio da pista. Foi o pôr do sol visto da janela da cozinha e as mãos dadas, as cabeças encostadas e as conversas até às tantas da manhã. Foi deitar e acordar ao lado delas e deles, comer com elas e eles, rir. Sobretudo rir. Foram 13 dias, 312 horas, 18720 minutos, 1123200 segundos a rir.
Budapeste. Uma parte do meu coração ficou por lá, preso naquele tempo, naquelas memórias, junto daquela gente, daquele calor e daqueles cheiros.



2 comentarios:
Também adorei Budapeste. Da sopa de fruta, cor-de-rosa, que para os húngaros era entrada e para nós sobremesa, das corridas da táxi que ficavam a 100 forints cada um (mais ou menos 100 escudos) e principalmente do tram amarelo no meio das avenidas que corria a cidade a uma velocidade incrível e que só nos fazia pensar se íamos var ou descarrilar.
«No tram amarelo
Budapeste está cheia de eléctricos, trams como são conhecidos. Um deles rumava a grande velocidade, pelo meio da avenida sem fim, rumo a Buda, do outro lado do verde Danúbio. Uma mecha de cabelos loiros destacava-se por entre os passageiros, quase todos locais, húngaros, com os olhos claros. As linhas douradas esvoaçavam ao sol, brilhando, ecoando os raios quentes, escapando-se ao controlo de um lenço púrpura. Nunca mais a vi, mas por certo a rapariga dos cabelos doirados continua a encantar quem visita Budapeste.»
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